Mobilização nacional busca pressionar o Senado
O Rio de Janeiro foi palco, na manhã desta terça-feira (30), de uma manifestação que marcou o início do Dia Nacional de Mobilização pelo fim da escala 6x1. Centenas de trabalhadores percorreram cerca de 6 quilômetros, incluindo trechos da Avenida Brasil, em uma caminhada de quase duas horas para exigir a redução da jornada de trabalho. O ato reflete o descontentamento de categorias que operam sob o regime de apenas um dia de folga semanal.
A pauta central do movimento é a tramitação da PEC 221/2019, que propõe a redução da carga horária semanal de 44 para 40 horas, garantindo dois dias de repouso remunerado sem redução salarial. A mobilização, articulada por entidades como a CUT, o movimento VAT e as frentes Povo Sem Medo e Brasil Popular, ocorre simultaneamente em 21 cidades de 14 estados e no Distrito Federal.
Tramitação da proposta no Congresso
Apesar de ter sido aprovada pela Câmara dos Deputados em 27 de maio, a proposta encontra-se estagnada no Senado. O presidente da Casa, Davi Alcolumbre, tem sido o foco da pressão dos manifestantes, que buscam destravar a pauta. O senador declarou anteriormente que o texto deve ser analisado sem pressa e sugeriu a possibilidade de alterações, o que forçaria o retorno da matéria para uma nova votação na Câmara.
Representantes de movimentos sociais e centrais sindicais agendaram uma reunião com Davi Alcolumbre para a quarta-feira (1º). O objetivo é acelerar o processo legislativo. Para ampliar o alcance da causa, a CUT disponibilizou o site Na Pressão, ferramenta que permite aos cidadãos enviarem mensagens diretas aos parlamentares em defesa da mudança na jornada.
Vozes do movimento e apoio popular
O vereador Rick Azevedo, articulador nacional do movimento, destacou que a luta ultrapassou o setor de comércio e tornou-se uma bandeira ampla da classe trabalhadora. Durante o percurso no Rio de Janeiro, a manifestação recebeu apoio de populares e demonstrou solidariedade a outras categorias, como os rodoviários, que enfrentam greve na capital fluminense.
Lideranças sindicais, como Márcio Ayer, presidente do Sindicato dos Comerciários do Rio de Janeiro, argumentam que a redução da jornada é uma medida de dignidade. Segundo Ayer, trabalhadores mais descansados apresentam maior produtividade, um ponto que, na visão do sindicalista, é frequentemente ignorado pelo setor empresarial.
Debates sobre os reflexos econômicos
A discussão sobre o fim da escala 6x1 tem gerado divergências em estudos econômicos recentes. Enquanto defensores da medida apontam benefícios para a saúde mental e a qualidade de vida, setores do empresariado e analistas debatem os possíveis impactos na inflação e no Produto Interno Bruto (PIB). O impasse segue como um dos temas centrais da agenda política nacional neste semestre.

