Uma análise técnica baseada em imagens de satélite da Nasa revelou a dimensão da catástrofe que atingiu a Venezuela após a sequência de abalos sísmicos que abalaram o país. Pesquisadores da Universidade Estadual de Oregon estimam que cerca de 58,8 mil edifícios sofreram danos estruturais ou foram completamente destruídos na região impactada pelos tremores.

O levantamento, realizado por meio do satélite Sentinel-1, utilizou uma metodologia de comparação de imagens captadas antes e depois dos eventos sísmicos. O estudo, embora classificado como preliminar e ainda não validado, oferece um panorama crítico da devastação em áreas densamente povoadas, incluindo a costa central e o corredor urbano de Caracas.

Tecnologia de satélite na avaliação de danos estruturais

A técnica empregada pelos geógrafos Corey Scher e Jamon Van Den Hoek baseia-se na detecção de mudanças abruptas na superfície das edificações. O método, frequentemente utilizado para mapear destruição em zonas de conflito, identifica como danificado qualquer edifício que apresente pelo menos 50% de sua área de implantação com perda de coerência nas imagens de radar.

Os pesquisadores ressaltam que o mapa gerado pela Nasa é um produto inicial, elaborado poucos dias após o desastre. A precisão dos dados está em consonância com o padrão de intensidade dos terremotos, concentrando as detecções de danos nas regiões onde o impacto geológico foi mais severo.

Resposta governamental e avaliação de riscos

Enquanto a análise científica avança, o governo da Venezuela contabilizou, até o último domingo (28), o colapso de 774 edifícios em todo o território nacional. Deste total, 189 estruturas foram totalmente derrubadas, enquanto 585 sofreram danos parciais significativos que comprometem sua integridade.

Para gerenciar a crise, foi instituída uma comissão técnica encarregada de inspecionar a infraestrutura remanescente. O grupo utilizará um sistema de classificação por cores para determinar a habitabilidade dos imóveis: o vermelho indicará alto risco de desabamento, o amarelo sinalizará risco médio e o verde identificará estruturas seguras para ocupação.

Impacto humanitário e estatísticas da tragédia

A magnitude do desastre reflete-se em números alarmantes de vítimas. As atualizações mais recentes indicam que os terremotos resultaram em 1,9 mil mortes confirmadas e deixaram 10,5 mil feridos. A situação permanece crítica, com as Nações Unidas (ONU) estimando que quase 50 mil pessoas ainda constem como desaparecidas.

As autoridades locais e equipes de resgate continuam as buscas em meio aos escombros, enquanto a comissão de infraestrutura avalia pontes e rodovias. A expectativa é que o mapeamento detalhado auxilie na priorização das ações de socorro e na reconstrução das áreas mais afetadas pela série de tremores iniciada na última quarta-feira (24).

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