O Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) apresentou os resultados da Operação Rede Interrompida, ação deflagrada pela Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) para desmantelar um grupo que planejava atos violentos contra prédios públicos na capital federal. A investigação, iniciada na primeira quinzena de junho, foi impulsionada por relatórios do Laboratório de Operações Cibernéticas (Ciberlab) da Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp).

O monitoramento de grupos em plataformas de mensageria revelou que os suspeitos articulavam invasões à Esplanada dos Ministérios e ao Supremo Tribunal Federal, além de cogitarem atentados a bomba durante debates eleitorais. Segundo as autoridades, a intervenção foi necessária para antecipar riscos reais de violência, superando o limite da liberdade de expressão e configurando um planejamento concreto de ações ilícitas.

Inteligência e cooperação na Operação Rede Interrompida

A força-tarefa contou com o apoio estratégico de polícias em cinco estados: Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Pernambuco e Rio Grande do Sul. O ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva, ressaltou que o sucesso da operação reside na capacidade de articulação nacional, permitindo que a União e os estados atuassem como um sistema unificado de proteção.

O diretor de Operações Integradas e de Inteligência da Senasp, Anchieta Nery, reforçou que a ação foi pautada pela necessidade de evitar sinistros. A integração de dados permitiu localizar os alvos e realizar o monitoramento preventivo, garantindo que o planejamento dos suspeitos fosse frustrado antes de qualquer execução material.

Apreensões e alvos estratégicos

Durante o cumprimento de oito mandados de busca e apreensão, as autoridades encontraram evidências contundentes dos planos do grupo. Entre os materiais recolhidos estão manuais detalhados para a fabricação de explosivos, mapas da região central de Brasília e plantas baixas de prédios como o Palácio do Planalto.

O delegado-geral da PCDF, José Werick de Carvalho, enfatizou que o objetivo central da operação foi a proteção do patrimônio público e da integridade física de cidadãos e autoridades. A coleta desses itens reforça a seriedade da ameaça e a importância da vigilância constante sobre processos de radicalização online.

Perfil dos envolvidos e combate ao extremismo

Os oito investigados possuem idades entre 19 e 31 anos e, segundo a Polícia Civil, não possuem antecedentes criminais. O coordenador de inteligência da PCDF, delegado Maurílio Coelho, explicou que o grupo não mantinha vínculos presenciais, comunicando-se exclusivamente por meios digitais. Por estratégia investigativa, a polícia optou por não solicitar prisões preventivas neste estágio inicial.

Além do planejamento de ataques, as conversas monitoradas revelaram a disseminação de discursos neonazistas, antissemitas e misóginos. A secretária Nacional de Acesso à Justiça do MJSP, Sheila de Carvalho, destacou que o combate a essas condutas é um desafio prioritário, integrando esforços como o Pacto Brasil contra o Feminicídio e a Estratégia Nacional Mulher Segura para garantir a proteção social em todo o território nacional. Mais informações sobre o trabalho das forças de segurança podem ser acompanhadas pelo portal oficial do Ministério da Justiça e Segurança Pública.

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