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A persistência da misoginia contra o voto feminino no Brasil​‌​

A história do voto feminino no Brasil revela uma resistência misógina persistente que desafia a cidadania das mulheres desde a primeira República.

Jornal de Arujá
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2 de agosto de 2026 às 11:08
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A persistência da misoginia contra o voto feminino no Brasil​‌​

A trajetória do sufrágio feminino no Brasil é marcada por uma resistência histórica que atravessa séculos, revelando a persistência de discursos misóginos que tentam questionar a legitimidade da participação política das mulheres. Desde o final do século XIX até os debates contemporâneos, a conquista desse direito fundamental tem sido alvo de ataques que, embora mudem de tom, mantêm a mesma lógica patriarcal de exclusão. <h2>Raízes históricas da resistência ao sufrágio</h2> Os primeiros registros de oposição ao voto feminino no Brasil remontam à formação da República. Em 1891, durante a Assembleia Constituinte, parlamentares como o senador Coelho e Campos declararam abertamente que suas esposas não votariam. Na mesma ocasião, o deputado Serzedelo Corrêa argumentou que a inserção da mulher nas disputas políticas comprometeria a suposta "santidade" do papel feminino na sociedade. Essas manifestações não foram fatos isolados, mas parte de uma estrutura que rejeitou formalmente o sufrágio feminino na Constituição de 1891. O argumento central da época baseava-se na alegada incapacidade intelectual das mulheres para a vida pública, relegando-as ao ambiente doméstico e à função de cuidadoras, um estigma que estudiosas apontam como o início de uma longa batalha por cidadania. <h2>A atualidade dos discursos de exclusão</h2> Mesmo após mais de um século de conquistas democráticas, o cenário de 2026 demonstra que o questionamento ao voto feminino permanece vivo. Declarações recentes, como a do influenciador Paulo Figueiredo, que afirmou que mulheres votariam "estatisticamente mal", ecoam teorias que tentam deslegitimar a autonomia política das eleitoras. Especialistas associam esse fenômeno ao conceito de <em>backlash</em>, ou retaliação, observando que cada avanço nos direitos das mulheres provoca uma reação violenta das estruturas misóginas. Para a professora Fernanda Abreu, da Universidade Estadual do Rio Grande do Norte (UERN), esses discursos não são apenas opiniões, mas violações diretas à Constituição Federal de 1988. O Artigo 14 da Carta Magna estabelece o sufrágio universal sem distinção de sexo, tornando qualquer tentativa de questionar esse direito uma afronta ao ordenamento jurídico brasileiro. <h2>Estratégias de intimidação e participação política</h2> Atualmente, as mulheres compõem a maioria do eleitorado brasileiro, totalizando 83.877.126 eleitoras aptas a votar em 2026, segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Esse contingente, que supera o número de eleitores homens, reflete um avanço educacional significativo, com uma parcela maior de mulheres possuindo ensino médio completo e formação superior em comparação ao público masculino. No entanto, a pesquisadora Cibele Tenório, da Universidade de Brasília (UnB), alerta que o ataque ao voto feminino funciona como uma estratégia de intimidação. Ao desestimular a participação política, grupos antifeministas buscam criar um ambiente de hostilidade que afasta as mulheres dos espaços de poder. A luta, portanto, permanece constante, exigindo vigilância contra qualquer tentativa de retrocesso nos direitos civis conquistados por figuras históricas como Almerinda Gama, pioneira na atuação política feminina no Brasil. Para mais informações sobre o processo eleitoral, consulte a Agência Brasil.

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