Durante a 68ª Cúpula de Chefes de Estado do Mercosul, realizada nesta terça-feira (30) em Assunção, no Paraguai, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu a abertura de negociações comerciais entre o bloco sul-americano e a China. O posicionamento integra uma estratégia mais ampla de inserção do grupo nos mercados globais mais dinâmicos, buscando fortalecer a relevância econômica da região diante de um cenário internacional marcado por tensões e protecionismo.
O presidente brasileiro ressaltou que o Mercosul já mantém diálogos avançados com Canadá, Índia e Vietnã, e oficializou o início das tratativas para uma parceria econômica com o Japão. Para Lula, a integração regional deve transcender divergências ideológicas, posicionando o bloco como um espaço estratégico de cooperação em um mundo cada vez mais polarizado e fragmentado.
Estratégia de expansão e autonomia regional
Em seu discurso, o mandatário brasileiro criticou o que classificou como alinhamentos automáticos e escolhas excludentes na política externa. Segundo o presidente, a soberania dos países da América do Sul não deve ser subordinada a agendas externas, reforçando que o Mercosul atua como um pilar de estabilidade e desenvolvimento para seus membros.
Dados apresentados durante o evento destacam a trajetória do bloco, que viu o comércio intrabloco saltar de US$ 4,5 bilhões em 1991 para US$ 50 bilhões em 2025. Com exportações que alcançaram US$ 770 bilhões no último ano, o grupo reafirma sua importância como um dos maiores blocos econômicos do planeta, representando cerca de 70% do Produto Interno Bruto (PIB) da América do Sul.
Investimentos no novo Fundo para a Convergência Estrutural
Um dos pontos centrais do encontro foi a discussão sobre a criação do Focem 2, sucessor do mecanismo original de 2004 voltado à redução de desigualdades. O Brasil anunciou o compromisso de destinar US$ 100 milhões anuais ao novo fundo durante a próxima década, visando impulsionar obras de infraestrutura, como rodovias, ferrovias e redes de saneamento.
A proposta brasileira inclui a integração da Bolívia ao fundo, medida vista como essencial para diminuir as assimetrias regionais. O governo brasileiro também tem incentivado que outros parceiros, como a Argentina, ampliem suas contribuições para fortalecer a capacidade de investimento do bloco em projetos de conectividade e desenvolvimento sustentável.
Cooperação em segurança e combate ao crime
Além da agenda econômica, o Brasil apresentou uma proposta de pacto regional focado no combate ao feminicídio e à violência contra as mulheres. A iniciativa busca padronizar ações de proteção e resposta em todo o bloco, reforçando o compromisso com os direitos humanos e a segurança pública.
No âmbito do combate ao crime organizado, o Brasil se comprometeu a custear, por um ano, a presença de delegados dos 12 países da região no novo escritório regional da Interpol, sediado em Buenos Aires. A medida visa intensificar a coordenação no enfrentamento ao tráfico internacional de drogas e outras atividades ilícitas transnacionais, conforme detalhado pela Agência Brasil.

